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Quinta, 22 de abril de 2021
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Política 22/03/2021

Posição da VCG de ameaçar não pagar funcionários é contestada na Câmara

Declaração da concessionária do transporte coletivo dizendo que não terá dinheiro para pagar a segunda parte do salários dos funcionários foi contestada durante sessão do Legislativo

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Posição da VCG de ameaçar não pagar funcionários é contestada na Câmara

Repercutiu negativamente durante a sessão desta segunda-feira (22) da Câmara a declaração feita pela concessionária do transporte coletivo, Viação Campos Gerais (VCG), de que não terá dinheiro para pagara a segunda parcela dos funcionários da empresa, no próximo dia 25 de março.

A declaração foi feita por meio de nota enviada à imprensa no último dia 17 de março, um dia depois que a prefeita Elizabeth Schmidt (PSD) anunciou o decreto com restrições contra a pandemia em Ponta Grossa, que inclui a suspensão do transporte coletivo entre os dia 18 e 28 deste mês.

Um grupo de funcionários da VCG, com receio de ficar sem a segunda parte dos salários, procurou os vereadores para expor a situação. No final de semana, ocorreu uma reunião online entre os funcionários e vereadores para debater o assunto. Nesta segunda, representantes dos funcionários estiveram na Câmara para acompanhar a sessão.

Alguns vereadores, como Julio Kuller (MDB) e Izaias Salustiano (PSB), questionaram a posição da VCG, entendendo que a concessionária teve quase 30 anos de atuação na cidade, acumulando lucros ao longo desses anos. Agora, em um momento de crise sanitária, quando os funcionários e a cidade mais precisam da colaboração de todos, a empresa anuncia o possível não pagamento dos salários em sua totalidade.

"Depois de 30 anos, que não me venha a VCG dizer que não tem dinheiro. Isso e uma afronta", disse Kuller, o primeiro a se pronunciar sobre o assunto na sessão.

Pagamento obrigatório

O vereador Izaías Salustiano ressaltou que o pagamento integral dos salários é uma obrigação das empresas, passível de sanções em caso de descumprimento. "Depois de 30 anos explorando a nossa cidade, justamente na hora que os funcionários e a cidade mais precisam, a empresa aje dessa forma. É lamentável e não podemos permitir", declarou Salustiano.

O parlamentar do PSB ressaltou também que grande parte dos pequenos empresários que estão passando por dificuldades financeiras em decorrência da pandemia, estão se desfazendo de bens ou realizando empréstimos com juros altos para poder arcar com suas obrigações, com funcionários e impostos.

"Os pequenos empresários se sacrificam neste momento, enquanto uma grande empresa, que explora a nossa cidade há décadas, simplesmente fala que não tem dinheiro e o funcionários é que serão prejudicados", questionou Salustiano, enfatizando que nos dias de transporte suspenso, a empresa tem custos reduzidos, já que não gasta com combustível e manutenção para os ônibus.

As vereadoras Josi do Coletivo (Psol) e Joce Canto (PSC) também se pronunciaram contra a posição adotada pela VCG.

Leia a nota da VCG na íntegra:

Recebemos com preocupação a decisão de interrupção total do serviço de transporte coletivo. Sabemos que a situação da pandemia pelo COVID-19 é grave e exige medidas rígidas.

Estamos ainda buscando entender a extensão das repercussões e trabalhando com afinco para garantia da continuidade de nossa operação, hoje bastante ameaçada e incerta.

Tão logo tenhamos uma posição da Prefeitura a respeito de nossos serviços e, especialmente, sobre o custeio dos custos fixos, o que inclui o pagamento dos salários, informaremos a todos os colaboradores.

Fato é que tendo em vista a situação da interrupção das atividades da empresa causando equivalente impacto na receita, a VCG não terá condições de arcar com a segunda parcela dos salários dos colaboradores prevista para o próximo dia 25.

De nossa parte, estamos trabalhando para continuar operando.

A respeito das atividades de cada colaborador, esclarecemos que de acordo com o Decreto Municipal, as atividades da VCG estão paralisadas do dia 18 ao dia 28, período no qual os funcionários não deverão comparecer ao trabalho.