O atacante do Operário, Berto, afirma ter sido alvo de racismo na partida contra o Vila Nova, no último sábado (18), em Goiânia. O jogador acusa um torcedor de chamá-lo de “macaquinho” após o final da partida. Revoltado, o atleta discutiu com torcedores atrás do banco de reservas do Fantasma.
Neste momento, uma confusão se iniciou, com objetos arremessados do campo para a arquibancada e vice-versa. Um torcedor foi atingido e revidou acertando o presidente Álvaro Góes. Ele caiu no gramado com um corte no nariz.
O presidente do Vila Nova, Hugo Bravo, se pronunciou após a confusão alegando que o clube iria identificar o torcedor que cometeu o suposto ato de racismo. Hugo se disse “envergonhado” e pediu desculpas ao dirigente e atleta do Operário.
No domingo (19), os dois clubes realizaram pronunciamentos em notas oficiais. O alvinegro repudiou os atos e afirmou que as imagens foram encaminhadas às autoridades e um dos indivíduos já foi identificado.
Confira a nota do Operário:
O Operário Ferroviário repudia com absoluta veemência os atos de cunho racista sofridos por seus atletas após a partida deste sábado, em Goiânia, diante do Vila Nova.
As imagens encaminhadas às autoridades evidenciam as manifestações discriminatórias. Um dos envolvidos já foi identificado e autuado em flagrante. O clube prestou imediato apoio aos jogadores e acompanhará o caso até as últimas instâncias, buscando a completa responsabilização dos envolvidos.
O Operário ressalta que se trata de uma conduta individual, que não representa a instituição Vila Nova nem a maioria de seus torcedores. Agradecemos à diretoria do clube goiano pela postura colaborativa e pela solidariedade prestada aos nossos atletas e ao Presidente do Grupo Gestor.
No que se refere aos acontecimentos posteriores, o Operário destaca que o ambiente foi marcado por elevada tensão decorrente da gravidade do ocorrido, circunstância que deverá ser considerada na devida análise.
Reafirmamos que o racismo é abominável e inaceitável. O combate a essa prática exige a união de toda a sociedade. Seguiremos firmes, de forma intransigente, no combate ao racismo e na defesa incondicional de nossos profissionais.
O Vila Nova trouxe atualizações sobre o caso, em que um dos supostos autores passou por audiência de custódia e vai responder processo em liberdade.
Confira a nota do Vila Nova:
O Vila Nova Futebol Clube esclarece e atualiza os episódios ocorridos após a partida contra o Operário-PR, pela Série B.
A instituição informa que apura-se a ocorrência de dois possíveis crimes de injúria racial e dois de lesão corporal leve durante o evento.
Cabe destacar que, em tempo recorde no futebol brasileiro para episódios dessa envergadura, o clube tomou todas as providências de identificação dos envolvidos e condução à delegacia.
Graças a essa rápida intervenção do clube em conjunto com a Polícia Militar, os autores de lesão corporal foram imediatamente conduzidos à delegacia. Sendo eles: um torcedor do Vila Nova, que praticou a lesão corporal em desfavor do presidente do Operário; e o jogador do Operário, que praticou a lesão corporal em desfavor desse mesmo torcedor do Vila Nova, com um objeto lançado do campo, uma garrafa com isotônico da equipe visitante, para fora do campo e retornado ao campo resultando na segunda lesão corporal leve. Em ambos, as respectivas vítimas procederam a representação criminal em desfavor dos autores para seguimento da persecução penal.
Em relação às denúncias de injúria racial, um dos supostos autores foi preso em flagrante e, após audiência de custódia neste domingo, responderá ao processo em liberdade, com medida cautelar de proibição de frequentar praças desportivas. O segundo indivíduo foi devidamente identificado e qualificado, logo após o fato, pelo Vila Nova Futebol Clube, através de seu sistema interno de segurança, e a Polícia Civil instaurou inquérito por portaria para investigar o caso.
Em âmbito administrativo, o Vila Nova Futebol Clube determinou a suspensão temporária do acesso ao clube dos dois torcedores acusados de injúria racial, que negam as acusações.
O clube confia nas autoridades policiais e no Poder Judiciário para a rigorosa apuração dos fatos, respeitando sempre o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Tão logo haja um desfecho judicial, o Vila Nova tomará as providências definitivas cabíveis, reiterando seu compromisso histórico com um ambiente esportivo pacífico e livre de qualquer tipo de preconceito.
VILA NOVA FUTEBOL CLUBE. Foto: Isabela Azine